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Especialista em economia oceânica da ONU vem ao Brasil em novembro

O oceano é hoje uma das maiores oportunidades econômicas das próximas décadas. É essa a mensagem que Raffaele Mancini, diretor do Centro Colaborativo da Década ...

Especialista em economia oceânica da ONU vem ao Brasil em novembro
Especialista em economia oceânica da ONU vem ao Brasil em novembro (Foto: Reprodução)


O oceano é hoje uma das maiores oportunidades econômicas das próximas décadas. É essa a mensagem que Raffaele Mancini, diretor do Centro Colaborativo da Década do Oceano para a Economia Oceânica Sustentável (DCC-SOE), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), pretende levar ao Brasil em novembro. Mancini é um dos nomes confirmados para a terceira edição do Tomorrow.Blue Economy Niterói, que vai reunir empresários, investidores, pesquisadores, gestores públicos e a sociedade civil nos dias 25 e 26 de novembro, na Arena Niterói, em Niterói, no Rio de Janeiro. Sediado em Barcelona, o DCC-SOE é o único centro colaborativo da Década do Oceano dedicado exclusivamente à economia azul. Antes disso, Mancini passou mais de dez anos no Fundo Mundial para a Natureza, o WWF, uma das maiores organizações ambientais do mundo. Foi lá, segundo ele, que aprendeu que nenhum governo ou empresa resolve sozinho os problemas do oceano. "Os governos têm a capacidade de estabelecer regras, criar áreas protegidas, controlar atividades e mobilizar recursos públicos destinados à proteção do oceano e ao desenvolvimento sustentável de seus recursos, mas, se isso não contar com a participação das empresas que operam no oceano ou dependem de seus recursos, muitas vezes fica no papel", explica. Um mercado de trilhões que ainda não decolou no Brasil A chamada economia azul, que reúne atividades como pesca, turismo costeiro, energia offshore e transporte marítimo, movimenta hoje cerca de US$ 2,6 trilhões por ano no mundo. É praticamente o dobro do que movimentava 25 anos atrás e equivale a algo entre 3% e 4% de toda atividade econômica produzida pelo planeta anualmente, segundo estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Raffaele Mancini, especialista em economia azul. Divulgação/Reprodução. "O Brasil tem uma posição extraordinária para liderar essa transformação. Possui uma costa enorme, uma biodiversidade marinha excepcional, grandes cidades portuárias, pesca, turismo, energia offshore, transporte marítimo e uma enorme capacidade científica e tecnológica. Há poucos países que possuem uma combinação tão completa de ativos relacionados ao oceano", diz. E o momento é estratégico para mostrar essa relevância. Em 2027, o Rio de Janeiro vai sediar a Conferência da Década do Oceano da ONU, organizada em parceria com a Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da Unesco. Para Mancini, a oportunidade está em reavaliar o potencial dado ao oceano. "A economia não apenas depende de um oceano saudável, mas de um oceano saudável que favorece o crescimento econômico", resume. Da pesquisa à inovação Um dos pontos que o especialista pretende levar ao público é a diferença entre o que a ciência descobre sobre os oceanos e o que chega ao mercado. Ele avalia que boa parte da pesquisa acadêmica sobre o tema fica restrita a publicações e projetos que terminam assim que acaba o financiamento. É essa ponte que o DCC-SOE tenta construir em Barcelona, aproximando diferentes instituições em torno de projetos com potencial de mercado. "Uma pesquisa científica ou uma nova tecnologia não deveria ser considerada bem-sucedida apenas por ser publicada em uma boa revista, mas sim se permitir criar uma empresa, melhorar uma política pública, reduzir um impacto ambiental, gerar emprego em uma comunidade costeira", afirma. Essa conexão entre ciência e mercado também precisa gerar oportunidades para quem vive e trabalha no oceano. Na avaliação do especialista, o desenvolvimento da economia azul não pode ficar concentrado em grandes empresas e investidores. “A economia azul não pode ser construída unicamente a partir das grandes empresas ou dos grandes fundos. Ela precisa gerar oportunidades para as comunidades costeiras e para as pessoas que já vivem e trabalham no oceano. Se a transição não for inclusiva, dificilmente será sustentável”, defende. Participe do Tomorrow.Blue Economy Niterói Para ficar por dentro de mais debates relacionados à economia azul, participe do Tomorrow.Blue Economy Niterói 2026, que acontece nos dias 25 e 26 de novembro, na Arena Niterói, no Rio de Janeiro. Os ingressos já estão disponíveis e podem ser adquiridos através do site oficial.