Rio Paraná atinge menor nível em 37 anos e previsão é que julho supere pior índice da história

Em 37 anos, o Rio Paraná atingiu nesta semana o seu menor nível. Ou seja, o volume de água registrado no rio não era tão baixo desde 1984, o que corresponde a 40% a menos do que é considerado normal para essa época do ano. E a previsão para os próximos meses não é nada animadora. O Instituto Nacional de Águas (INA) da Argentina, prevê que em julho o nível do rio supere o menor já registrado na história, que foi em 1944.

Segundo o Boletim Hidrológico emitido pela Itaipu Binacional nesta sexta-feira, 18, na região da Ponte da Amizade, o nível era 92,27 metros acima do nível do mar. A altura do rio considerada normal é de 105 metros acima do nível do mar. Segundo o mesmo boletim, no próximo domingo a previsão é de que esse número chegue a 91M.

O baixo volume é ocasionado pela falta de chuvas, que, de acordo com o Instituto Meteorológico do Paraná, ocorre desde 2018. “A persistência das chuvas abaixo da média sobre os estados que compõe a bacia do rio Paraná (Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná) tem contribuído para a diminuição dos níveis dos principais reservatórios da região. Os meses de outubro a março, que correspondem aos meses mais chuvosos da região, estão apresentando volumes de chuvas abaixo da climatologia desde o ano de 2018” salienta o Instituto.

Porém, para agravar ainda mais a situação, o INMET destaca que neste ano, a situação de escassez de chuvas na bacia do rio Paraná foi mais extrema em relação aos anos de 2018 e 2019, principalmente nos dois últimos meses (abril e maio). E, de acordo previsão climática do INPE, existem grandes chances de as chuvas permanecerem abaixo da média nos próximos meses. Desta forma, no dia 27 de maio de 2021, foi emitido o alerta de emergência hídrica que deu início à várias ações para minimizar o impacto da falta de chuvas na bacia.

Riscos para o Brasil

Para Foz do Iguaçu, a principal diferença do baixo nível do Rio Paraná é a paisagem. No entanto, para o restante do país, e para a Argentina e Paraguai a falta de chuvas e, consequentemente, o baixo nível do rio, está gerando grandes prejuízos. No lado brasileiro, o risco de apagões começou a assombrar o país.

Para evitar os riscos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou uma nota técnica com a avaliação das condições de atendimento energético do Sistema Interligado Nacional (SIN). Nessa nota, a entidade afirma que o nível das chuvas, “significativamente abaixo da média histórica”, motivou uma série de recomendações.

As medidas propostas, segundo a ONS, já foram postas em prática. “Entre as ações em curso destacam-se a flexibilização das restrições hidráulicas dos aproveitamentos localizados nas bacias dos rios São Francisco e Paraná; aumento da geração térmica e da garantia do suprimento de combustível para essas usinas; importação de energia da Argentina e do Uruguai, além de campanha de uso consciente da água e da energia”, explicou a entidade.

Segundo ela, as providências estão sendo tomadas para garantir o fornecimento de energia. “Sendo assim, diversas medidas foram aprovadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e já estão em curso, o que faz com que esse cenário não se concretize e se garanta o fornecimento de energia e potência em 2021”.

Na manhã de quinta-feira, 17, o tema foi debatido pelo Fórum de vice-governadores, que contou com a participação de 15 governadores e o diretor-geral brasileiro da Itaipu, general João Francisco Ferreira. O diretor de Itaipu salientou que a Itaipu tem conseguido produzir mais energia utilizando menos água, o que é de extrema importância nesses tempos de escassez.

Também participaram do Fórum, representando o ministro Bento Albuquerque, o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Christiano Vieira da Silva, que falou sobre as ações do MME para garantir o provimento de energia elétrica em território brasileiro.

Paraguai e Argentina

Já para o Paraguai e a Argentina, o nível de água do Rio Paraná atinge o transporte de cargas. Além disso, várias cidades argentinas que dependem da pesca estão passando por necessidades. A população de peixes do Paraná depende dos ciclos hidrológicos e climático.

No entanto, o rio baixo prejudica a produção e o crescimento natural de certas espécies, algo que é confirmado pelos pescadores e comerciantes, que confirmam que a pesca baixou notadamente em relação aos anos anteriores, da mesma forma que as vendas.

No Paraguai, o escoamento da safra de grãos é realizado pelo rio Paraná, único acesso de exportação Oceano Atlântico. A entidade que representa os exportadores no Paraguai acredita que são quase R$ 2 bilhões em mercadorias paradas.

No lado argentino, o carregamento nos navios diminuiu para evitar que o transporte venha a encalhar. No polo exportador de Rosário, localidade onde está algumas das maiores esmagadoras de soja do mundo, houve redução na quantidade de navios que seguiam para outros países. A Argentina é o maior exportador mundial de farelo de soja e o terceiro maior fornecedor de milho.

Foto: Giovani Zanardi/RPC

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